Sunday, February 27, 2011

Quem tramou os reformados?

Entre 1996 e 2010 a dívida externa líquida aumentou 1600%.

Infra estruturámos o país em nome do amanhã, mas sem pensar nele.

Isto significa que as próximas décadas vão estar ao serviço da dívida.

Num contexto de livre circulação, os trabalhadores vão deslocar-se para onde lhes convier, isto é, para territórios com melhor relação entre os serviços sociais e os encargos fiscais.

Mas os encargos esperados com a dívida externa, promovida durante a vida activa dos novos reformados, terá de ser paga.
A redução drástica dos serviços sociais retirará competitividade social ao país que cobrará impostos à taxa mais alta no espaço europeu.

Presos a Portugal vão estar os reformados. Foi aqui que fizeram os seus descontos e será aqui que poderão reclamar os seus direitos.
Muitos deles, num impulso irreflectido, sugerem a emigração aos seus filhos!
Esquecem-se que sem descontos não há reformas.

3 comments:

  1. Frederico,
    A outra forma de ver essa situação é o facto dos pais acreditarem mais no apoio familiar do que no apoio de reforma gerido pela Segurança Social. Se os meus filhos estiverem bem, estarei mais suportado do que se eles andarem mal pagos e desmotivados, a descontar para uma Segurança Social que eventualmente (quase certamente) irá esbanjar esses descontos...
    Posso discordar com algumas das tuas ideias mas gosto muito de te ler!
    Abraço

    ReplyDelete
  2. Frederico se os filhos estiverem bem economicamente poderão sustentar os seus pais. Estou de acordo com o Calvin!
    Beijinhos para um amigo especial Frederico.

    ReplyDelete
  3. Olá Frederico. O problema neste tipo de situações é que costumam ser "self-feeding", ou seja, entrar numa espiral em que um determinado factor - por exemplo o serviço da dívida - afecta negativamente todos os outros factores o que, por sua vez, agrava ainda mais o factor inicial ('feedback' positivo). Do lado das pessoas, elas farão o que precisarem de fazer, o que puderem fazer ou que as deixarem fazer para sobreviver: emigrar, mudar de vida, mudar de região, empreender... Do lado do Estado e das instituições é que está o problema mais sério, porque é aí que estão alojados os parasitas (pessoas, empresas e instituições) que criaram o problema inicial em primeiro lugar. É aí que as pessoas têm de intervir civicamente dizendo alto e bom som que já basta. Infelizmente, tal é muito difícil numa sociedade como a nossa, pouco educada e sem tradição de responsabilidade individual e social. Por isso antevejo um longo período de empobrecimento até que as pessoas acordem.

    ReplyDelete