Wednesday, May 11, 2011

Islândia: "Eles perceberam que tinham de mudar a página"

Paulo Pena, jornalista da revista Visão, realizou uma reportagem sobre a Islândia. (ver reportagem)


infoex: O que conhecias da Islândia antes da preparação da reportagem?
PP: Comecei a interessar-me por este trabalho quatro meses antes de o realizar.

infoex: Que sentimento associaste por parte dos islandeses ao corte com o passado? Foi pacífico?
PP: Foi pacífico e traumático. Eles perceberam que tinham que mudar a página, portanto mentalizaram-se para isso. Passaram de uma situação de abundância para quase carência. Eles tinham uma perspetiva de prosperidade que terminou abruptamente.
Eles têm um esquema de cheque-ensino, endividam-se durante a faculdade porque têm uma perspetiva de prosperidade que lhes permitia o fácil pagamento da dívida. Isso acabou abruptamente. É mais uma dívida a juntar à da casa.
Alguns até gostam deste novo estilo de vida. Adequam-no à luz dos seus valores.

infoex: Em que momento consideraste que aquilo que ocorreu na Islândia era impossível de acontecer em PT?
PP: Quando percebi a real dimensão do movimento. Não foi apenas a mudança de cúpulas políticas. O movimento começou na base. Não existe nenhuma força social suficientemente autonoma em Portugal para operar aquele tipo de mudança.

infoex: Qual a perspetiva islandesa sobre o contributo do imobiliário para a sua crise?
PP: A economia islandesa não tinha escala para crescer. Contraíram empréstimos porque os bancos vendiam o dinheiro. A primeira coisa em que contraiam empréstimos foi para as casas. Os seus preços dispararam. Uma das famílias com quem falei, a sua casa valorizou 40.000 euros num ano.
Entrevistei outra família que amortizava dívidas. É um caso raríssimo. Esses sabiam que os bancos não eram "amigos". Estavam ali para fazer negócio.

infoex: De que vive a economia islandesa?
PP: Os dois principais sectores são as Pescas e os Alumínios.

infoex: Foi difícil agendar uma reunião com o Presidente da República da Islândia?
PP: Não foi complicado, aliás, não foi tão difícil como em Portugal!

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