Sunday, February 27, 2011

Quem tramou os reformados?

Entre 1996 e 2010 a dívida externa líquida aumentou 1600%.

Infra estruturámos o país em nome do amanhã, mas sem pensar nele.

Isto significa que as próximas décadas vão estar ao serviço da dívida.

Num contexto de livre circulação, os trabalhadores vão deslocar-se para onde lhes convier, isto é, para territórios com melhor relação entre os serviços sociais e os encargos fiscais.

Mas os encargos esperados com a dívida externa, promovida durante a vida activa dos novos reformados, terá de ser paga.
A redução drástica dos serviços sociais retirará competitividade social ao país que cobrará impostos à taxa mais alta no espaço europeu.

Presos a Portugal vão estar os reformados. Foi aqui que fizeram os seus descontos e será aqui que poderão reclamar os seus direitos.
Muitos deles, num impulso irreflectido, sugerem a emigração aos seus filhos!
Esquecem-se que sem descontos não há reformas.

Wednesday, February 9, 2011

Indústria da Prototipagem

A euforia nos avanços nas tecnologias de informação e comunicação afectou uma parte significativa de recursos humanos globais.
Acreditámos que o nosso futuro estaria nas Software Houses e apostámos em excesso nessa "casa".
Desvalorizámos a indústria num pressuposto que a Europa de Leste e a Asia chamariam a sí essa função.

Hoje, diria que de forma legítima, olhamos com apreensão para essas "certezas".

Em Portugal temos várias características que em conjunto podem promover milagres: Um mercado pequeno e ávido de inovação; recursos humanos qualificados e disponíveis; "hospitalidade e tolerância religiosa" que nos permite interagir com todo o mundo.

Provavelmente já percebeu onde pretendo chegar: Prototipagem

Temos todas as condições para sermos um país de experimentação.
Aconteceu com a Via Verde, com o Multibanco, com os telemóveis pre-pagos e com milhares de outros produtos menos conhecidos. Parte deles não passou o teste do mercado, o que é normal.
Hoje somos o centro das atenções com a aposta na rede de abastecimento de viaturas eléctricas e na produção de energias renováveis. O futuro dirá do seu sucesso.

Identificada a oportunidade, questiono-me sobre envolvimento dos centros de educação e conhecimento para esta vocação: Estamos a implementar Fab Labs nas nossas escolas e universidades?

Próximo passo: Working Labs.

Monday, February 7, 2011

Deolinda, a estagiária!

O grupo musical Deolinda marcou a agenda com o tema "Que Parva que Sou", onde denuncia a "geração sem remuneração".

A que se deve o fenómeno de uma geração inteira com o futuro adiado?

Porque motivo existem tantas empresas suportadas em estagiários sem remuneração? Essas empresas estão a funcionar, ou a sobreviver à incapacidade dos seus lideres de responder aos novos modelos de negócio?
Considerarão esses "lideres" que o futuro passa pelo mix mão de obra gratuita com hierarquias cristalizadas?

E os nossos jovens? Porque não empreendem por conta própria num momento em que a sua mão de obra nao é valorizada ao serviço de outrém?
Porque esperam que D. Sebastião regresse do nevoeiro para lhes oferecer um posto de trabalho?

É tempo de reagir: É tempo de perder o medo de empreender por conta própria.

Se a formação formal é igual a tantos milhares de outros profissionais, já as competências informais são mais individuais. E a sua conjugação, torna cada individuo num profissional único para responder a uma necessidade específica da economia.

Actuamos?

Thursday, February 3, 2011

Geração Co(laborativa)

A participação profissional está em revolução!

Hoje, 30% dos trabalhadores estão online. Uma multinacional americana prevê que esse nr chegue a 50% nos próximos 2 anos.

É esta realidade que fará dispersar a população das metrópoles. É esta realidade que quebrou barreiras geográficas e estabeleceu pontes entre Trancoso, local de onde escrevo, e a sua cidade, onde lê este texto.

Porventura, associará este texto a um outro trabalho que está desenvolver e publicará amanhã, num site brasileiro p.e., uma reflexão mais evoluída deste fenómeno.

E nesse caso, será mais uma colaboração sem geografia.

Mas o ser humano é social. Precisa de ambiente para produzir!

Este quebrar de barreiras geográficas não significa que trabalhemos isolados "na garagem", num modelo que se popularizou como tele-trabalho.
Em França, esta tendência atingiu 10% da população activa nos anos 80. Mas a inércia instalou-se nestes trabalhadores que não retiravam o pijama durante o dia, nem a cabeça do frigorífico!

É por isso que a tendência de centros de trabalho partilhados está a crescer: Coworking Centers

Já não há produção individual como no passado. As redes colaborativas catalisaram mais e melhores resultados. Nem a própria competição, o Ala da Economia, escapou a esta tendência: Hoje vivemos em Coopetição!

Wednesday, February 2, 2011

Lusitanus Crisis Management (Desenrascanço)

"Os portugueses são emocionais, criativos, flexíveis/"desenrascados" e resilientes. Partilhamos cada uma destas características com outros povos, mas não o conjunto.
E isto é muita pólvora!"


Depois de ver o vídeo Migrações - Retratos do nomadismo contemporâneo, um excelente trabalho de Tiago Forjaz para a Fundação Calouste Gulbenkian, o tema do "Desenrascanço" retomou a minha atenção.

Quando se pretende definir as características do cidadão português, o "desenrascanço" é uma presença permanente. E como ocorre com todas as qualidades dos portugueses, é remetida para o pudor.

Qual o melhor momento para rentabilizar a capacidade de reagir a contratempos que o actual contexto de crise?

Estaremos à espera de um novo momento de fartura, com barões e baronesas à mesa do dinheiro dos contribuintes, para reinventar a economia nacional?