Tuesday, August 14, 2012

PIB, Crescimento e Liquidez

Portugal acordou alarmado com a redução do PIB em 3,3%, sobre o trimestre homólogo.

Não é a notícia desejável para qualquer português, ainda menos para os desempregados, que reconhecem nestes dados o "monstro" que perturba a criação de novos postos de trabalho.

Em Junho de 2011, o país mudou de Governo e de estratégia.
Abandona o investimento público em nome dos custos da dívida externa.
Com menos investimento, cai o emprego no sector da construção e sobem os custos sociais.
Outros sectores, também sustentados no Estado, seguem-lhes as pisadas.

Numa economia global, cada região será avaliada pela sua balança comercial, calcanhar de Aquiles das economias mediterrânicas, pontualmente recompensadas através do turismo.

Enquanto a esquerda política reclama maior tributação às grandes fortunas e limites legais para os valores das reformas, a direita procura um Estado mais sustentável. E nesta discussão, define-se 80% das mensagens políticas. Pouco mais acrescentam.

Assim, o crescimento é apenas um indicador cego: só importa crescer se isso representar um ganho na balança comercial. Por isso, importa compreender que a liquidez nasce nos ganhos dessa balança.
Sem isso, a dívida externa não será amortizada.
E Portugal precisa de a liquidar, para recuperar a sua soberania.

Wednesday, August 1, 2012

Novas Comunidades Paralelas

O fenómeno da "economia paralela" é associado aos períodos de crise.
Já as "comunidades paralelas" têm um caracter permanente.

O desempregado que faz uns biscates, pretende complementar o subsídio de desemprego com pequenos extras. Uma ambição legítima, mas economicamente injusta.
O membro de uma seita - religiosa, desportiva ou assumidamente de interesses - procura vantagem para a sua causa em detrimento das restantes: política de terra queimada.

Em Portugal, como na Grécia, cresce o nr. de comunidades paralelas.
São maioritariamente jovens cidadãos que não estão inscritos na Segurança Social, vivem uma economia de subsistência, e o excedente do seu trabalho é aplicado em trocas sem recurso a moeda.

Não existem más intenções nestas novas comunidades. São pessoas que não encontraram outra solução para a sua vida.
Não conseguem emprego, privilégio exclusivo para quem o tem, numa sociedade que substituiu a meritócracia pela antiguidade. E já não esperam pela reforma, pelo que se recusam a financiar a dos outros.
Sentem a necessidade de sair de casa dos seus pais, predominantemente das áreas metropolitanas.

O Estado tem o dever de integrar socialmente os seus cidadãos. Esta desagregação não trará benefícios a ninguém.
Cabe ao poder político a compreensão deste novo fenómeno e identificar instrumentos que evitem esta desagregação social.